Banda: The Brian Jonestown Massacre
The Brian Jonestown Massacre formaram-se em São Francisco, EUA, no início
dos anos 90, liderados por Anton Newcomb embarcam numa viagem sonora entre o
rock/folk psicadélico com quase 20 anos de história. Thank God for Mental
Illness, de 1996, é um álbum folk onde Anton, por um lado, tenta acalmar o sentimento
de perda por algo que não consegue ter no presente “She looks so nice, that I
want to see her twice, she looks so good, that I wish I could” (It Girl), e por
outro exalta a solidão vivendo de algo que já foi mas continua tão presente nos
seus pensamentos e sonhos “and I´m so lonesome without your love (…) It´s not your touch girl that´s driving me crazy, it´s just those
lonesome memories” (Those memories).
Em Free and Easy take two acentua-se o
desespero trazendo-nos à memória “A
insustentável leveza do ser” de Milan Kundera “free and easy, feeling free and
easy while you can, cause you´ve got no expectations loving anyone again”. Sem expectativas de voltar a amar não se
identificando a si próprio por falta de um “outro” contingente que o ajude a
situar-se e, essencialmente, que o ajude a sentir efectivamente e não viver de
recordações de sentimentos.
Sounds of Confusion é uma dissertação de 33 minutos. Acto I, começa com
sons ambiente, algures, perto de uma estrada. Ouve-se alguém a falar sobre
Jesus… será o próprio Anton? O salvador. Acto II, Crianças a brincar e entra
lentamente a música, como uma canção de embalar, a declaração de amor que
finaliza aos 11:33. Acto III, ao estilo dos The Smiths, Anton transmite-nos que
num primeiro contacto ela não parece estar disponível… consequência de
histórias passadas… O acto IV, que começa com o metrónomo a dar o tempo, apresenta-nos a insistência, uma nova tentativa, uma nova
declaração de amor “I can take you to heaven before the sun comes up”(…)”you´re
my sunshine”. Acto V - a rejeição definitiva… e num discurso adolescente
rejeita ele próprio os seus sentimentos por ela. No acto VI, o acto final,
sente-se o estado depressivo causado pela rejeição onde tudo é questionado, o
tempo que perdeu a moldar-se para ser aceite, a procura de um refúgio… finalizando
com a afirmação que todos nós nos colocamos “I want to know” (eu quero saber).
Estes são alguns momentos de Thank God for Mental Illness, um álbum onde se
idealizam relações pela incapacidade de se descentrar de si próprio,
concebendo-se o “eu” como o centro do mundo. No entanto, verdade seja dita, já
todos nós nos sentimos o centro do mundo… mas felizmente, ou infelizmente,
acabamos por nos ajustar ao que nos rodeia e ao que a sociedade nos pede. Ao olharmos
para Anton Newcomb não sentimos pena, arrisco dizer que sentimos uma ligeira inveja e saudade de
tempos passados. Mas, ao afastarmo-nos das músicas, ao afastarmos o deslumbramento, percebemos o carácter narcísico no limite do ajustamento social e percebemos a ironia do nome do álbum.
Faço esta análise não apenas por ouvir Thank God for Mental Illness, mas
após analisar todo o percurso dos The Brian Jonestown Massacre e ouvir todos os
seus álbuns editados até 2009. É algo que vos aconselho vivamente. E sabem que
mais eles continuam por aí a tocar.
