domingo, 6 de maio de 2012

The Brian Jonestown Massacre


Banda: The Brian Jonestown Massacre
Álbum: Thank God for Mental Illness



The Brian Jonestown Massacre formaram-se em São Francisco, EUA, no início dos anos 90, liderados por Anton Newcomb embarcam numa viagem sonora entre o rock/folk psicadélico com quase 20 anos de história. Thank God for Mental Illness, de 1996, é um álbum folk onde Anton, por um lado, tenta acalmar o sentimento de perda por algo que não consegue ter no presente “She looks so nice, that I want to see her twice, she looks so good, that I wish I could” (It Girl), e por outro exalta a solidão vivendo de algo que já foi mas continua tão presente nos seus pensamentos e sonhos “and I´m so lonesome without your love (…) It´s not your touch girl that´s driving me crazy, it´s just those lonesome memories” (Those memories).


 Em Free and Easy take two acentua-se o desespero  trazendo-nos à memória “A insustentável leveza do ser” de Milan Kundera “free and easy, feeling free and easy while you can, cause you´ve got no expectations loving anyone again”. Sem expectativas de voltar a amar não se identificando a si próprio por falta de um “outro” contingente que o ajude a situar-se e, essencialmente, que o ajude a sentir efectivamente e não viver de recordações de sentimentos.


Sounds of Confusion é uma dissertação de 33 minutos. Acto I, começa com sons ambiente, algures, perto de uma estrada. Ouve-se alguém a falar sobre Jesus… será o próprio Anton? O salvador. Acto II, Crianças a brincar e entra lentamente a música, como uma canção de embalar, a declaração de amor que finaliza aos 11:33. Acto III, ao estilo dos The Smiths, Anton transmite-nos que num primeiro contacto ela não parece estar disponível… consequência de histórias passadas… O acto IV, que começa com o metrónomo a dar o tempo, apresenta-nos a insistência, uma nova tentativa, uma nova declaração de amor “I can take you to heaven before the sun comes up”(…)”you´re my sunshine”. Acto V - a rejeição definitiva… e num discurso adolescente rejeita ele próprio os seus sentimentos por ela. No acto VI, o acto final, sente-se o estado depressivo causado pela rejeição onde tudo é questionado, o tempo que perdeu a moldar-se para ser aceite, a procura de um refúgio… finalizando com a afirmação que todos nós nos colocamos “I want to know” (eu quero saber).


Estes são alguns momentos de Thank God for Mental Illness, um álbum onde se idealizam relações pela incapacidade de se descentrar de si próprio, concebendo-se o “eu” como o centro do mundo. No entanto, verdade seja dita, já todos nós nos sentimos o centro do mundo… mas felizmente, ou infelizmente, acabamos por nos ajustar ao que nos rodeia e ao que a sociedade nos pede. Ao olharmos para Anton Newcomb não sentimos pena, arrisco dizer que sentimos uma ligeira inveja e saudade de tempos passados. Mas, ao afastarmo-nos das músicas, ao afastarmos o deslumbramento, percebemos o carácter narcísico no limite do ajustamento social e percebemos a ironia do nome do álbum. 


Faço esta análise não apenas por ouvir Thank God for Mental Illness, mas após analisar todo o percurso dos The Brian Jonestown Massacre e ouvir todos os seus álbuns editados até 2009. É algo que vos aconselho vivamente. E sabem que mais eles continuam por aí a tocar.