sábado, 1 de setembro de 2012

Sparklehorse


Banda: Sparklehorse



Álbum: Good Morning Spider




                Mark Linkous deixou-nos em 2010, muito cedo para alguns, para o próprio na altura certa. Com a sua partida acabaram os Sparklehorse que nos deixam 5 registos para ouvir, ler e decifrar.

                A viagem começa com Vivadixiesubmarinetransmissionplot de 1995. Constantes, que irão continuar nos álbuns seguintes, o campo, os animais, o céu, as estrelas… a morte. É um álbum heterogénio com momentos mais calmos como Saturday e Homecoming Queen, momentos mais fortes como em Tears On Fresh Fruit (um momento à Pixies, apenas como modelo de comparação) ou Someday I will treat you good e momentos mais “regionais”, se é que posso usar o termo, como em Cow com o som de uma harmónica e um banjo, que nos ajudam a situar algures no interior dos EUA (Virginia). É um álbum contemplativo, ainda se sentem histórias vividas, momentos na vida de alguém, momentos quase banais que, acarinhados pelas melodias, ganham um novo sentido. No entanto, o estado depressivo, uma constante em Mark Linkous, já se faz notar em Sad & Beautiful world.

                Good Morning Spider (1998) começa com guitarras a rasgar, é mesmo o termo certo, com válvulas quentinhas Pig é uma tentativa de Mark dizer: estou vivo! Ainda não sei bem como, ainda estou um pouco perdido, mas estou aqui… pronto para mais uma tentativa, vamos ver o que dá. No entanto… todas as músicas seguintes são precisamente o oposto. Painbirds (na minha opinião uma das mais belas músicas escritas por Mark Linkus) será uma preparação para o que aí vem. Terá Mark sentido a depressão a voltar, a consciencialização de um futuro amorfo… pálido… sem expressão. Nunca o saberemos.
                Saint Mary é um agradecimento às enfermeiras que o ajudaram na recuperação (após uma mistura de anti-depressivos e álcool e heroína, Mark esteve desmaiado 14 horas sobre as suas pernas. A recuperação demorou cerca de 6 meses). Mas… é um agradecimento sofrido, quase triste. A frase The only things I really need is water, a gun, and rabbits simboliza, na minha opinião, o desejo de estar só, e a dúvida entre fazer algo que gosta, caçar, e acabar com o sofrimento.
                A partir deste ponto, embora se sintam vários momentos entre o Pop, low-fi e Rock sujo, as letras transmitem, quase sempre, desesperança, tristeza e uma procura. I just want to be a happy man!” ouve-se na mistura Chaos of the Galaxy/ Happy man. E, por entre tudo o que se passa neste album, é a mensagem a retirar, o desejo de ser feliz.

                Distorted Ghost (2000) gravado em Memphis, Easley studio, durante algum tempo casa dos Pavement, começa com Happy Man, um rock sujo e agarrado, mas rapidamente volta ao dream pop com Waiting for nothing e Happy place. A palavra happy (felicidade) sempre foi uma constante nos discos de Sparklehorse. My yoke is heavy, original de Daniel Dale Johnston, é, talvez, uma pequena homenagem a alguém que inspirou Mark a seguir o seu próprio caminho.

                It´s a wonderful life (2001) é um álbum doce, com arranjos deliciosos, ternos que contrastam com letras estranhas, de um universo diferente. Há muitos convidados neste álbum, PJ Harvey empresta a sua voz em Piano Fire e Eye Pennies, Tom waits em Dog Door, Bob Rupe, Nina Persson entre outros, também dão um pouco de si em algumas músicas. As músicas a destacar, tarefa difícil, talvez a Eye Pennies e More yellow birds. Na Eye Pennies a linha de piano que abre a música é simples mas fica no ouvido, vai aparecendo… é tensa e move-se para descanso, leve. More yellow birds  duas linha melódicas de violino com uma bateria seca dão a entrada e encostamo-nos no sofá, fechamos os olhos e viajamos. It´s a wonderful life é uma viagem, uma estranha viagem.

                 Dreamt for light years in the belly of a mountain (2006), encantei-me tanto com os anteriores que ainda não tive tempo para digerir devidamente, a ouvir enquanto escrevo. Parece ser um disco mais calmo emocionalmente, o dream pop muito presente, acordes largos, expansivos preenchem o espaço e o tempo, parece-me ser um disco mais pausado. No entanto, It´s not so hard quebra claramente com esta definição, uma bateria forte, extremamente rock, a tarola com muita sala enche o espaço, guitarras a desbravar terreno tentando ocupar o seu espaço numa luta saudável com a bateria, that´s a rock song!

                Mark Lingus deixa-nos uma obra extremamente bela, liricamente complexa. Sinceramente não sei que caminho seguiria se ainda estivesse entre nós.  A música que fecha o  Dreamt for light years in the belly of a mountain e que dá nome ao disco soa-me a despedida… e que bela despedida.

site: http://www.sparklehorse.com/